Em sessão marcada pelo cerceamento do debate, Consun aprova Procuradoria com carreira própria na Uerj

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Autoritarismo! Foi essa a expressão utilizada por conselheiros e por quem acompanhava a transmissão pela internet para definir a reunião remota do Conselho Universitário da Uerj na manhã desta sexta-feira,4/9 .

O encontro virtual concluiu a sessão extraordinária iniciada no dia 14 de agosto, aprovando a criação de uma Procuradoria da Uerj, com carreira própria, desvinculada da dos demais servidores, e promoção dos advogados da universidade ao novo cargo e sem a realização de concurso para tal.

A Resolução foi tomada após três encontros marcados por processos tumultuados de votação e procedimentos irregulares, que culminaram, na manhã desta sexta-feira, na decisão do Reitor de controlar as falas, cerceando o acesso dos conselheiros ao microfone e interditando o debate amplo dos destaques à emenda da Reitoria, o que levou muitos a se retirarem da sessão como forma de protesto. Apesar disso, a sessão continuou como se nada tivesse acontecido, inclusive, desconsiderando a ausência dos autores dos destaques.

A criação do que alguns classificaram como “trem da alegria” causou ainda mais indignação por ocorrer em meio a uma pandemia, quando questões urgentes se apresentam para a universidade. Entre essas, as garantias e direitos para o exercício do Trabalho e do Ensino Remoto Emergencial, que se inicia nos próximos dias, o congelamento da carreira de técnicos e docentes, a suspensão de nomeações de professores aprovados em concursos, os escândalos decorrentes da corrupção praticada pelo ex-diretor do Hupe, exposta por ele mesmo, além da ameaça de demissão dos trabalhadores terceirizados da universidade.

A Asduerj publicará em breve uma análise completa desta Resolução do Consun, que alegando a salvaguarda da sua autonomia, mais parece ter iniciado a autofagia da universidade.

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