Mães cientistas da Uerj criam GT para promover formas mais igualitárias de atuação profissional

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Preocupadas com as desigualdades sociais que se tornaram ainda mais profundas no Brasil durante a pandemia, docentes da Universidade criaram o Grupo de Trabalho Mães Cientistas da Uerj. O objetivo é mitigar os efeitos negativos do isolamento social, que têm afetado com mais intensidade as mulheres, especialmente as mulheres negras.

O GT pretende agregar as demandas de todas as mães da comunidade da Uerj, e produzir reflexões sobre como as dimensões do gênero e do cuidado atravessam o trabalho acadêmico das mulheres, de forma geral.

Leia a seguir documento divulgado pelo grupo de docentes à comunidade universitária.
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Nota GT Mães Cientistas da Uerj

A pandemia da Covid-19 escancarou as profundas desigualdades sociais que existem no Brasil. Percebemos que, ao contrário do que foi preconizado no início da crise sanitária, não estamos todas/os no mesmo barco. Publicações crescentes de matérias jornalísticas e análises científicas confirmam que as mulheres estão sendo e serão as mais afetadas pelo isolamento social, especialmente as mulheres negras. São impactos negativos que vão desde perda de emprego/renda, dificuldades na realização do trabalho remoto devido a dinâmicas do cuidado com filhas/os e outras/os dependentes, aumento da violência doméstica e feminicídio, entre outros.

Diante dessa realidade, um grupo de docentes da UERJ criou um Grupo de Trabalho para refletir e propor medidas capazes de atenuar o impacto da pandemia entre as mulheres da nossa comunidade acadêmica. As docentes entendem que nossa instituição deve iniciar com urgência um debate que favoreça formas mais igualitárias de atuação profissional, analisando como as questões de gênero – a maternidade entre elas – afetam o trabalho das mulheres da comunidade acadêmica.

Com este propósito, o grupo se reuniu virtualmente e elaborou uma carta encaminhada no início de agosto para o Reitor Ricardo Lodi sugerindo adequações e encaminhamentos nas instâncias internas da UERJ que mitiguem os efeitos dessa desigualdade histórica de gênero e seus impactos na vida das mães cientistas, agravada no contexto atual pela pandemia (Leia a carta na íntegra).  Embora criado por docentes, o GT pretende agregar as demandas de todas as mães da nossa comunidade, e produzir reflexões sobre como as dimensões do gênero e do cuidado atravessam o trabalho acadêmico das mulheres, de forma geral.

O grupo tem se mobilizado junto a diretoras e diretores de Centros Setoriais, Pró-reitorias, Chefias de Departamento, Coordenações de Pós-graduação e Sindicato na esperança de contar com o apoio e a compreensão da comunidade acadêmica nesta demanda que pretende ser o início de um profícuo caminho rumo a modelos mais inclusivos e humanizados de avaliação da produção do conhecimento científico que não reitere a exclusão e a desvalorização históricas do cuidado, isto é, das atividades essenciais para a manutenção e reprodução da vida.

Para mais informações sobre o GT Mães Cientistas da UERJ, escrever para o email: maescientistasuerj@gmail.com

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