Grupo Tortura Nunca Mais divulga nota sobre Medalha Chico Mendes, símbolo da luta contra a ditadura e a violência de Estado

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Desde 2017, quando foi uma das homenageadas com a Medalha Chico Mendes, a Asduerj tem estreitado laços com o Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM). A Medalha Chico Mendes foi criada pelo GTNM como forma de celebrar não só a memória da luta contra a ditadura empresarial-militar, instaurada a partir do golpe de 1º de abril de 1964, mas também para valorizar todos os que continuam a lutar e denunciar a violência de Estado dentro e fora do Brasil.

É com muita satisfação que a Asduerj tem auxiliado, nos dois últimos anos, o GTNM a realizar a cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes no campus Maracanã da Uerj. Desde o início deste ano, trabalhávamos conjuntamente para recebermos, mais uma vez, em nossa universidade este evento, que já faz parte do nosso calendário de lutas. Infelizmente, a pandemia de Covid-19 forçou o adiamento da cerimônia. Contudo, não poderíamos deixar passar este dia 1º de abril sem lembrar todos os que lutam e lutaram: “Pela vida e pela paz / Tortura e Ditadura Nunca Mais”.

Leia a seguir a Nota do GTNM e a lista dos homenageados com a Medalha Chico Mendes no ano de 2020.

32ª Medalha Chico Mendes de Resistência

A Medalha Chico Mendes de Resistência acontece há 32 anos, todo dia 1º de abril, homenageando defensorxs dos Direitos Humanos, lutadorxs, entidades e povos. Este ano a Medalha teve sua data suspensa em função da pandemia de COVID-19. Posteriormente marcaremos outra data para a homenagem.

O golpe empresarial-militar brasileiro aconteceu no dia 1° de abril, quando as tropas de Mourão Filho saíram de Juiz de Fora, durante a madrugada. No documentário O Dia que Durou 21 anos, a própria esposa de Mourão fala que o marido saiu na madrugada do dia 31 de março para 1° de abril. Estas tropas chegaram ao Rio de Janeiro no dia 1° de abril. Nesta manhã, o presidente da Câmara dos deputados Ranieri Mazzilli reconhece o governo militar. No dia 2 de abril, João Goulart refugia-se no Uruguai. Os militares, então, mudaram a data para 31 de março para não serem alvo de chacota pelas mentiras históricas que procuravam afirmar, uma vez que 1° de abril é Dia da Mentira.

Em 31 de março de 1989, no prédio onde havia funcionado o DOI-CODI, o exército concedeu a Medalha do Pacificador a militares e civis que participaram ativamente dos órgãos de repressão durante o período ditatorial. Como resposta à comemoração dos militares, o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ) decidiu criar a Medalha Chico Mendes de Resistência! contra a imagem e exaltação de um “pacificador” sanguinário – responsável por massacres de trabalhadores, negros, indígenas, mulheres e crianças, dentro e fora do Brasil – o GTNM-RJ escolheu o nome de Chico Mendes, um trabalhador, lutador da floresta amazônica, assassinado pelo latifúndio meses antes, em dezembro de 1988. Desde o início se tornou um importante instrumento valorização das lutas e denúncia da violência de Estado de toda a história brasileira e internacional.

A Medalha é uma iniciativa do GTNM-RJ sempre construída coletivamente em parceria com diversas entidades e movimentos ao longo destes 32 anos. Este ano participaram da escolha das homenagens a Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, a Comissão de Direitos Humanos do CRP-RJ, a Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da OAB-RJ, o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência-RJ.

Pela Vida
Pela Paz
Tortura Nunca Mais!

#TorturaNuncaMais
#DitaduraNuncaMais
#VivaoSUS

Veja os homenageados pela 32º Medalha Chico Mendes

Aluizio Palmar

Antônio Marcos Pinto de Oliveira (In Memoriam)

Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (Comandante Clemente – In
Memoriam)

Centro de Formação Paulo Freire de Pernambuco

Coletivo Xingu Vivo para Sempre

Equipo Argentino de Trabajo y Investigación Psicosocial (EATIP)

Laura Ramos

Lígia Maria Salgado Nóbrega (In Memoriam)

Mães pela Diversidade

Mulheres Kurdas em Luta

Noca da Portela

Pastoral Carcerária de São Paulo

Quilombo Santa Justina – RJ

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“Não mataram nossa família”

Ainda com o sentido de celebrar a memória dos que lutaram contra o golpe empresarial-militar de 1964, que completa 56 anos neste 1º de abril, compartilhamos a publicação do professor Leo Alves Vieira, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes (PPGCA-UFF).

Leo Alves Vieira é neto de Mário Alves de Souza Vieira, um dos fundadores e secretário-geral do PCBR, perseguido e monitorado por órgãos de informação e repressão do Estado brasileiro em virtude de sua militância política. No dia 16 de janeiro de 1970, por volta das 20 horas, saiu de sua casa no subúrbio carioca de Abolição e nunca mais retornou. Foi sequestrado, preso ilegalmente e torturado por agentes do Estado nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna no Rio de Janeiro (DOI-CODI-RJ).

A postagem inclui, além de um relato pessoal de Leo Alves Vieira, um vídeo resumo com o depoimento do torturador do seu avô em audiência promovida pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, na Alerj, em 2013.

Clique aqui ou na imagem para acessar a postagem.

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