Nota da Asduerj em repúdio ao atraso de bolsas, auxílios e salários

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A situação da Uerj é grave. Nas últimas semanas temos visto o cenário se agravar de forma acelerada e preocupante, no mesmo curso que segue a crise fiscal do estado do Rio. Estudantes sem conseguir se alimentar, sem dinheiro para pagar passagens, residentes sem possibilidade de pagar aluguel, trabalhadoras e trabalhadores terceirizadas/os, assim como professoras e professores substitutas/os com salários sistematicamente atrasados, docentes e servidoras e servidores técnicos sem saber como pagar suas contas. E, o pior, uma ausência completa de perspectivas de solução para estes problemas e muitos outros, como o do orçamento limitado e contingenciado, além de impasses quanto ao funcionamento da universidade nos dias de jogos no Maracanã, só para citar alguns dos muitos problemas pendentes que precisam de maior trato por parte da administração central.

Cabe reafirmar o óbvio: salários garantem as condições básicas de existência para trabalhadoras e trabalhadores, as bolsas são para muitos questão de sobrevivência e os auxílios já são considerados, há muito tempo, parte do orçamento mensal de servidoras e servidores, que há anos amargam a situação de achatamento dos seus salários.

Também precisamos de normalização das atividades na universidade nos dias de jogos no Maracanã. Há décadas convivemos normalmente com jogos e atividades na universidade. A Uerj não pode continuar a ser prejudicada e as saídas para esta questão precisam ser estudadas e colocadas em prática pela administração central.

O auxílio-saúde, que há dois meses não é pago, não é um favor, é um direito que consta na Lei Estadual 9.602/2022. Esse auxílio é fundamental para a manutenção de necessidades básicas de saúde, sendo imperativo que seja incorporado ao contracheque. Além do auxílio-educação e auxílio à pessoa com deficiência, que também estão em risco.

A comunidade acadêmica da Uerj não pode ficar à mercê daquilo que a administração seleciona para entregar e aquilo que o governo do estado provisiona para o seu orçamento. A reitoria também tem parcela de responsabilidade na condução da busca de soluções para os impasses financeiros que afetam servidoras, servidores e estudantes.

É imperativo que a Administração Central da Uerj demonstre quais são as prioridades da universidade, as ações de cobrança junto ao governo do estado, os mecanismos de gestão financeira, a transparência nos processos, assim como os esforços efetivos que têm sido realizados para que a situação de atraso de salários, auxílios e bolsas seja resolvida.

É fundamental uma comunicação mais ativa, aberta e transparente com a comunidade acadêmica da Uerj, que elegeu democraticamente essa gestão e agora se coloca no lugar legítimo de cobrança.

A Asduerj, com total autonomia e independência política frente a governos e reitorias, se coloca junto a todas e todos que, neste momento, encontram-se em luta por direitos. Também ressaltamos que a comunidade acadêmica da Uerj não pode mais passar por esse tipo de constrangimento e ausência de perspectivas, diante de uma situação de total insegurança e incerteza que afeta diversos aspectos de suas vidas.

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