Presidente da Asduerj avalia positivamente retorno presencial e critica falta de investimento em infraestrutura

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O presidente da Asduerj, Guilherme Leite, participou na segunda-feira, 21/2, do Programa Faixa Livre, transmitido pela Rádio Bandeirantes/RJ.

A conversa com o Jornalista Paulo Passarinho girou em torno da atual situação financeira da Uerj frente ao novo Regime de Recuperação Fiscal. O dirigente sindical destacou a falta de investimento na infraestrutura da universidade e a implementação de uma política de auxílios, que se transformou em “muletas” diante do rebaixamento do poder de compra dos salários dos servidores. Lembrou ainda a ameaça de descumprimento da promessa de recomposição salarial feita pelo governador, com um índice que já estava longe de contemplar as perdas dos docentes da Uerj, que remetem ao ano de 2001.

O presidente da Asduerj fez também uma avaliação positiva do retorno presencial seguro às atividades na universidade, ressaltando o papel dos sindicatos na implementação dos protocolos de biossegurança. Para ele, “diante da melhora das condições epidemiológicas, é necessária a realização de uma crítica ao ensino on line, estratégia pouco visível de privatização e mercantilização da universidade pública”.

Veja trechos a seguir e ouça a íntegra da entrevista, clicando aqui

Uerj e o novo RRF

“Vivemos hoje na Uerj uma relação bastante contraditória. As condições e critérios de implementação do Regime de Recuperação Fiscal reforçaram a austeridade e, em alguma medida, provocaram perdas significativas de direitos dos servidores do Estado. Com isso, reforçaram também a carência na oferta de serviços públicos. Se há carência na oferta de serviços públicos, abre-se espaço para oferta desses serviços de forma privada.

Por outro lado, a Uerj se beneficiou de valores referentes à privatização da Cedae e da renegociação do pagamento das parcelas da dívida com a União, mas de uma maneira contraditória. O repasse desses recursos foi sobretudo na forma de auxílios. Na verdade, temos uma categoria já profundamente endividada, que começa a utilizar esses auxílios para pagar juros e tentar sanar suas dívidas. Isso tem uma lógica extremamente perversa, pois vira um mecanismo de repasse direto de dinheiro público para o capital financeiro, para os bancos. Não temos visto no âmbito da Uerj investimentos reais e diretos em infraestrutura, que implicam a expansão do espaço público.”

Recomposição salarial

“Sabemos que quando da feitura do novo RRF, o governador prometeu uma recomposição de 50% das perdas inflacionárias acumuladas de 6 de setembro de 2017 a 31 de dezembro de 2021. Essa recomposição seria distribuída em 3 parcelas ao longo dos próximos anos. Recebemos apenas um acréscimo de 13, 5% no início desse ano. Quanto às demais parcelas, as negociações (de Cláudio Castro) com Guedes avançaram para um cancelamento delas. Nós, docentes da Uerj, tínhamos perdas muito maiores, que se referiam a uma defasagem existente desde o ano de 2001.”

Retorno às aulas

“As aulas foram retomadas no dia 16 de fevereiro. Não há uma informação precisa, mas a ocupação está em torno de 30% presencial de cada curso da universidade. Avaliamos isso como algo importante, num processo de transição para o retorno completo ao 100% presencial. Estamos ainda sobre efeito da ômicron e isso garante uma não aglomeração dos campi da Uerj. É algo positivo, como também os protocolos de segurança, de cuja elaboração participamos, no sentido de preservação de um certo distanciamento dos estudantes nas salas de aula, uso de máscara, álcool em gel. Enfim, um certo cuidado para que as condições de retorno seguro se deem.”

Ensino remoto: uma crítica necessária

“O período das aulas on line foi excepcional, necessário no que se refere à proteção da vida e da saúde coletiva da comunidade uerjiana, mas foi também um período extremamente complicado. Ficamos subordinados a plataformas de ensino on line mercantis. Houve uma distribuição gigantesca de dados para as grandes empresas do setor de comunicação. Ao mesmo tempo, as plataformas formatam a modalidade dos cursos. As perdas na relação ensino-aprendizagem são significativas. E, o mais grave de tudo, o fim da vida universitária presencial, que compreende uma vida acadêmica, política, intelectual…”

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