Uerj precisa dar transparência a seus atos antes que acusações a obriguem a isto

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Poucas horas após a Asduerj publicar matéria sobre o agravamento da precarização de espaços da universidade, pari passu ao anúncio pela Reitoria de um ambicioso projeto de expansão para Cabo Frio e Vaz Lobo, sem discussão prévia com a comunidade, fomos surpreendidos no último sábado, 13/8, por reportagem do Portal UOL que afirmava haver suspeitas de que o governo do Rio teria usado a Uerj para empregar aliados políticos com folhas de pagamento secretas. Segundo o UOL, mais de meio bilhão de reais teriam sido injetados em projetos da universidade – sem transparência – e com indícios de saques na “boca do caixa”, num esquema semelhante ao que teria ocorrido também na Fundação Ceperj, conforme investigação em andamento no Ministério Público.

A Reitoria da universidade divulgou no mesmo dia uma Nota para elucidar o que classificou como ilações indevidas da reportagem publicada. Foi um passo inicial importante, porém ainda insuficiente. Será necessário ir além de demonstrar a base legal das descentralizações de crédito, de declarar que remunerações por ordem judicial não são ilegais e ocorrem em caráter excepcional na universidade ou que está em andamento a consolidação das informações relativas aos projetos para divulgação no Portal da Transparência Uerj.

É preciso dar transparência ampla e irrestrita a todas as ações administrativas da Uerj, o que, infelizmente, não tem sido feito. Pense-se, por exemplo, no recente caso do programa de expansão da universidade para Cabo Frio, no qual a Retoria promoveu um lançamento dos cursos sem iniciar a tramitação interna. Ou seja, sem a decisão da comunidade e sem esclarecer toda a estrutura necessária: orçamento, autorização para concursos novos e posse do imóvel para um futuro campus. Não podemos aguardar que um novo “escândalo” ocorra para que a transparência seja efetivada.

Sobre os projetos de extensão objetos da investigação da reportagem, esperamos que conste dos dados a serem divulgados no Portal da Transparência Uerj, além de nomes e valores, quem os adotou e os compõe, quais critérios foram escolhidos, bem como os procedimentos previstos para executá-los. Caso seja constatada alguma irregularidade à revelia da administração da universidade, é preciso que a Reitoria cobre do governo estadual sua responsabilidade pelos prejuízos à imagem da Uerj.

Nesta quarta-feira, 17/8, o Portal UOL divulgou nova matéria com a informação de que um ex-vereador preso em 2018 por participar do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral constaria “entre os nomes na lista de pagamentos do Observatório Social da Operação Segurança Presente, realizado na Uerj com recursos da Segov (Secretaria Estadual de Governo)”. A reportagem diz ainda que o nome do vereador não apareceria entre os convocados em nenhum dos quatro editais divulgados no site da universidade. É preciso que a Uerj responda com urgência a mais essa gravíssima acusação.

A comunidade universitária tem se unido para proteger a Uerj de possíveis intervenções do governo de extrema-direita que ainda permanece no poder. Deixar que a descentralização sem transparência seja oportunamente utilizada pela gestão do atual executivo para entrar pelas nossas janelas, enquanto massacra o povo pobre e preto nas favelas, poderá ter um alto preço a ser cobrado num futuro não muito distante.

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  1. Todo apoio à ASDUERJ em sua defesa de nossa Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Pública, Laica e de Qualidade .

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