Em carta aberta, docentes do CAp-Uerj cobram condições para “pleno funcionamento” da nova sede

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As e os professores presentes na plenária da categoria chamada pela representação do CAp-Uerj junto à Asduerj redigiram e divulgaram na segunda-feira, 14/3, carta denunciando as condições precárias das novas instalações da unidade.

O texto foi distribuído durante a inauguração da atual sede do CAp, na rua Barão de Itapagipe, nº 96. Por negativa do governador Cláudio Castro, não foi possível a sua leitura durante a cerimônia.

A pedido destas e destes docentes, a Asduerj publica a seguir a íntegra do documento em que o coletivo saúda “a aquisição da nova sede, mas cobra da gestão central a efetiva garantia das condições básicas para o seu pleno funcionamento, tendo mais celeridade e resolubilidade.”

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CARTA ABERTA DAS/OS DOCENTE DO CAP-UERJ PARA A INAUGURAÇÃO DA NOVA SEDE

As/os docentes do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, em reunião com a representação sindical da Asduerj, no último dia 10 de março do corrente ano, vêm, por meio desta, socializar nossa saudação e o conjunto de preocupações relativas à inauguração da nova sede da nossa unidade. Saudamos o excelentíssimo Governador Cláudio Castro, o Deputado Estadual André Ceciliano, Elmo Reitor Ricardo Lodi, nossos diretores professor Thiago Correa de Almeida e professora Cláudia Barreiros e todas, todes e todos presentes da nossa comunidade acadêmica.

Neste dia 14 de março de 2022, data em que a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes completa 4 anos, um crime reconhecido internacionalmente como sendo um crime político, nos somamos às vozes que exigem do Governo Brasileiro respostas: QUEM MANDOU MATAR MARIELLE E POR QUÊ?

MARIELLE FRANCO, PRESENTE!

HOJE E SEMPRE!

COM RACISMO, NÃO HÁ DEMOCRACIA!

Saudamos o Instituto de Aplicação, que, ao longo dos seus 65 anos, foi responsável pela formação de milhares de cidadãos críticos, tanto na conclusão do ciclo de Educação Básica, quanto na graduação e pós-graduação. Unidade que passou por outras mudanças de sede até chegar nesta que deve ser a sua definitiva.

Saudamos essa nova sede que guarda em si um potencial enorme de efetivamente comportar com adequação todas as nossas demandas e especificidades, criando um ambiente que seja de exercício da sociabilidade justa, fraterna, democrática, crítica, livre de preconceitos: antirracista, antimachista, antilgtbfóbica e anticapacitista.

Saudamos a política de expansão empenhada pela atual reitoria, desde que esteja alicerçada na garantia plena das condições espaciais de funcionamento, manutenção e de aquisição de mobiliário, pois, do contrário, se associará à lógica de precarização da universidade pública.

Neste evento, que marca não só uma mudança de sede, mas uma luta histórica e de muito trabalho por parte da reitoria e especialmente da comunidade Capiana, na figura das suas diretorias, nos pareceu necessário trazer alguns registros sobre este processo, no sentido de apontar necessidades e caminhos.

Nossa mudança se deu em meio a maior pandemia do século, ainda na insegurança e sob a letargia programada do governo federal na aquisição e sobre a eficácia das vacinas contra a Covid-19 e só foi possível pelo esforço de muitas pessoas, em especial da equipe Limpeza e Manutenção. Foram várias reuniões, debates e diálogos que atravessamos para que fosse possível chegar numa configuração mínima do espaço: setores administrativos, serviços gerais e limpeza, salas por segmento e ano de escolaridade, departamentos, blocos por área de conhecimento, e o tão sonhado refeitório, que nos permite efetivar uma política pública importante e consolidada para a Educação Básica da rede pública de ensino.

Reconhecemos o esforço empenhado pela atual diretoria em tornar viável nosso retorno presencial. Este retorno, já nesta nova sede, foi desejado por toda a comunidade Capiana, desde que tivéssemos as condições mínimas de segurança sanitária, espaciais e de trabalho para o desenvolvimento de todas as propostas pedagógicas que compõem o nosso projeto de Educação. Contudo, o que experimentamos nestas últimas duas semanas foi um misto de alegria e satisfação, por um lado, e frustração e angústia de outro.

Retornamos sem um sistema de ventilação e/ou refrigeração adequados para todos os espaços de sala de aula, não havia ventiladores. Ter esta condição numa realidade de verão carioca e de pandemia, que demanda circulação de ar para conter a propagação do vírus, é insalubre. Tivemos, em diferentes espaços, a falta de abastecimento de água. Várias e vários colegas não tiveram acesso a banheiros com água para o seu uso. Não contamos ainda com um número ideal de bebedouros, que atendam com qualidade à demanda da nossa comunidade acadêmica frente à realidade climática deste período. A falta de salas ou salas em condições adequadas compromete o planejamento pedagógico de todos os departamentos, sobretudo do DEFA, DCN e das equipes de Língua Estrangeira. Estas condições impactam diretamente o processo de ensino-aprendizagem de toda a comunidade escolar e acadêmica, uma vez que os estágios estão sendo seriamente comprometidos. Ainda que tenhamos algumas destas condições aparentemente remediadas com o avanço de parte das obras que são centrais para o funcionamento desta nova sede, nos parece oportuno trazer como registro o que vivenciamos neste retorno.

Entendemos que uma inauguração de nova sede deveria ser precedida pela resolução de questões tão basilares quanto as descritas aqui nesta carta, que causam condições importantes de insalubridade. Solicitamos veementemente um cronograma por parte da Reitoria e acompanhada pela direção do Instituto e comissões pertinentes para as obras prioritárias, que viabilizem condições mínimas de trabalho, como a instalação de bebedouros com água fresca, abertura de todas as salas disponíveis no prédio, reforma e construção de banheiros, capacidade e instalações elétricas etc. Ressaltamos também que uma autarquia de Estado, como a UERJ, não pode ser tratada pela Light como um consumidor qualquer, pois exercemos função social fundamental para a sociedade carioca, fluminense e brasileira. Indicamos que a Reitoria exija da Light um cronograma de instalação imediata da subestação de energia, que nos permitirá o uso de ares-condicionados necessários para atravessarmos dois verões em período letivo.

Este coletivo de docentes do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira saúda a aquisição da nova Sede para a Unidade Cap-UERJ e, ao mesmo tempo, cobra da gestão central a efetiva garantia das condições básicas para o seu pleno funcionamento, tendo mais celeridade e resolubilidade. Que possamos desenvolver uma Educação pública, gratuita e de qualidade social e etnorracialmente referenciada, entendendo-a nas suas diferentes dimensões.

Rio de Janeiro, 14 de março de 2022.

Foto: Reginaldo Pimenta / Agência O Dia

#Paratodosverem: imagem da fachada da nova sede com uma placa com logotipo e o nome do Instituto Fernando Rodrigues da Silveira – CAp-Uerj.

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