Em reunião ampliada da Asduerj, docentes propõem Atos para cobrar da Reitoria apuração de irregularidades em projetos da Uerj

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Os inúmeros indícios de que houve malversação de verbas públicas em projetos da Uerj financiados com orçamento descentralizado foram pauta de uma reunião ampliada da Asduerj, na quinta-feira, 1º/6. O encontro, realizado na Faculdade de Direito no início da tarde, contou com a participação de membros do Conselho de Representantes da Asduerj, do Conselho Universitário (Consun) e da comunidade uerjiana.

A principal preocupação manifestada pelos presentes foi a de dar transparência real aos fatos, para além do que tem feito as comissões montadas pela Reitoria. “O que mais nos motivou a marcar esse encontro foi a informação de que o Reitor chegou a nomear pessoas envolvidas nos projetos sob suspeita para participar das Comissões de Sindicância”, afirmou o presidente da Asduerj, Guilherme Leite, ao abrir a reunião.

“É necessário sabermos se houve de fato irregularidades, quais foram elas, e quem são os responsáveis, para que seja possível separar o ‘joio do trigo’. A esmagadora maioria dos nossos projetos é de grande relevância para a comunidade fluminense. Porém, seus bolsistas e coordenadores estão sendo prejudicados. A imagem de todos nós está manchada por suspeitas que recaem sobre quatro projetos que, sozinhos, receberam o maior volume de recursos e serviram, ao que tudo indica, a interesses espúrios de aliados políticos do governador”, resumiu um dos presentes.


Para cobrar uma apuração consistente dos fatos pela Reitoria, foi encaminhado no encontro que a Asduerj convoque as e os docentes a ocupar a audiência do Plenário dos Conselhos, durante a sessão extraordinária do Consun na próxima quarta-feira, 7/6, a partir das 10h.

“Estamos todos envolvidos, há projetos com bolsas suspensas e ameaça de cancelamento devido aos escândalos”, lembrou um docente.

Segundo uma série de reportagens publicada por um portal de notícias, um grande volume de dinheiro pode ter sido utilizado por meio desses projetos para financiar campanha de políticos bolsonaristas, ligados a Cláudio Castro. Esses projetos sob suspeita teriam se iniciado durante a gestão anterior e tiveram continuidade na atual reitoria.

Para os presentes, a Uerj, desde então, parece estar dividida em duas. A primeira, que congrega a maior parte de sua comunidade, é reconhecida pela sua excelência acadêmica, mas sofre com o não pagamento de auxílios, com a negação de direitos, com uma defasagem salarial acumulada por décadas sem recomposição inflacionária, além de uma progressiva deterioração de seus equipamentos e da sua estrutura física. E, uma outra, restrita a poucos apaniguados, que parece ter sido beneficiada por uma fonte ilimitada de dinheiro público com finalidades que não se encaixam no tripé ensino, pesquisa e extensão, próprias à universidade pública.

No encontro desta quinta-feira, foi proposto ainda um ato que tenha como pauta a apuração das suspeitas, a defesa de direitos, e que também expresse solidariedade a docentes, estudantes e técnicos universitários do prédio Haroldo Cunha Lisboa, o Haroldinho. O edifício, que abriga disciplinas do Instituto de Química e do Instituto de Biologia, teve mais uma vez sua estrutura danificada por um incidente ocorrido há três semanas, que destruiu o resultado de trabalho de anos de pesquisa de seus docentes, técnicos e estudantes.

Recomendou-se também que a Asduerj procure o Sintuperj e o DCE para discutir o tema, além de oficiar o Ministério Público do Rio de Janeiro para obter informações sobre as investigações em curso que envolvem a Uerj.

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